Dentro dos métodos físicos da estratigrafia, a reflexão sísmica é uma técnica utilizada na análise do subsolo, que se baseia nas propriedades acústicas das rochas. Consiste na emissão de ondas sonoras, semelhantes às ondas sísmicas, para o subsolo, dando-se reflexão destas, que vão ser captadas por microfones que são referidos como geofones na terra e hidrofones no mar.
| Imagem 1 - Ilustração da técnica de reflexão sísmica, retirado de: <http://www.hidrografico.pt/sismica-de-alta-resolucao.php>. |
A reflexão destas ondas sonoras dá-se quando estas encontram um limite entre diferentes tipos de litologias, pois diferentes litologias têm diferentes propriedades acústicas. Estas propriedades dependem da composição das unidades litológicas, sendo que, por exemplo, as ondas sonoras se propagam mais rápido em rochas cristalinas e em rochas cimentadas do que em argilitos e rochas muito porosas. A força da reflexão das ondas sonoras é regida pelo contraste entre as diferentes litologias. O tempo entre a emissão das ondas sonoras e a gravação das mesmas é denominado por “two way time” (TWT), que serve para calcular a profundidade em que se encontra a superfície reflectora, superfície esta que resulta do limite entre diferentes litologias. Após o processamento, os dados obtidos através da reflexão sísmica podem ser apresentados numa imagem composta por linhas pretas num fundo branco, quando utilizado um perfil em 2-D, sendo normalmente utilizadas cores em perfis em 3-D. Estas imagens possuem uma escala horizontal, que representa distância, em metros ou quilómetros, e uma escala vertical que representa o “two way time” em milissegundos, mas quando são realizados cálculos para determinar a profundidade, esta escala vertical passa a ser uma escala de profundidade.
| Imagem 2 - Exemplo de um perfil de reflexão sísmica, retirada do livro de Nichols, Gary - Sedimentology and Stratigrafy. |
Com a gravação de múltiplas ondas sonoras reflectidas, é possível interpretar estruturas geológicas. Esta técnica geofísica tem bastantes utilidades, como a prospecção petrolífera, estudos de geologia regional, estudos de base para implementação de estruturas marítimo-portuárias, em arqueologia subaquática, no cálculo do volume de inertes e controlo de dragagens, e em estudos geológicos detalhados.
Trabalho científico - Estratigrafia sísmica do Cenozóico na plataforma continental algarvia: Interpretação do controle tectónico da sedimentação, de Fernando C. Lopes & P. Proença Cunha
Assunto Estudado:
Este artigo é referente à Bacia Algarvia situada na fachada sul de Portugal. A sucessão sedimentar, que se estende do Triásico ao Quaternário, assenta em discordância sobre o Carbonífero da zona sul portuguesa.
Metodologia Utilizada:
O método utilizado nesta situação foi, com base na estratigrafia sísmica, a reflexão sísmica. Primeiramente, foi feita uma análise e interpretação da malha de perfis de reflexão sísmica multitraço industrial para a prospecção petrolífera (SNEA - Portugal 1974), situados entre os paralelos 3620'-37°00' e os meridianos 7°20'-8°40' calibrados com sondagens profundas. Este trabalho científico caracteriza as unidades sísmicas do Cenozóico da plataforma continental algarvia e interpreta o contexto tectono-sedimentar de cada uma delas.
Problemas e/ou dificuldades principais:
Neste trabalho realizado apontaram-se algumas dificuldades. A maioria dos perfis sísmicos interpretados não se apresentam migrados e alguns deles não são de boa qualidade. No entanto, em todos eles é possível a observação da diferença entre o registo sísmico dos depósitos mais recentes (Paleogénico superior - Actual) e o registo sísmico das formações mais profundas e mais antigas (Paleogénico inferior). A distinção das unidades do soco acústico revelou-se mais difícil, quer devido à má qualidade de resolução a esse nível, quer pelo facto dessas unidades serem constituídas por formações muito difractantes ou mal estratificadas e que aparentam estar bastante deformadas.
Resultados obtidos:
Com este trabalho obteram-se 64 perfis de reflexão sísmica na plataforma continental algarvia calibrados com cinco sondagens profundas, com a identificação de seis unidades sísmicas Cenozóicas (B a G) e das suas relações com estruturas tectónicas, permitiu a construção de sucessivas cartas de isópacas e a interpretação da evolução geológica. Foram identificadas duas estruturas geológicas principais, a zona de fractura de Portimão – Monchique e o provável prolongamento para "off-shore" da falha de S. Marcos – Quarteira. Este acidente separa dois domínios tectónicos, sendo estes, o ocidental e o oriental. A persistente actividade halocinética intensificou-se em dois momentos distintos: sin-unidade C e sin- e pós-unidade E. Verificou-se também uma crescente flexuração da margem, com variação espacial e temporal da subsidência.
Bibliografia:
Livros:
Nichols, Gary. (2009). Sedimentology and Stratigrafy. Chichester - West Sussex. Blackwell Publishing.
Websites:
Instituto Hidrográfico. (2011). Sísmica de alta resolução. Retirado de: <http://www.hidrografico.pt/sismica-de-alta-resolucao.php>.
Ciências da Terra. (2011). Estratigrafia sísmica do Cenozóico na plataforma continental
algarvia: interpretação do controle tectónico da sedimentação. Consultado em: <http://www.cienciasdaterra.com/index.php/vol/article/viewFile/220/209>.
Nichols, Gary. (2009). Sedimentology and Stratigrafy. Chichester - West Sussex. Blackwell Publishing.
Websites:
Instituto Hidrográfico. (2011). Sísmica de alta resolução. Retirado de: <http://www.hidrografico.pt/sismica-de-alta-resolucao.php>.
Ciências da Terra. (2011). Estratigrafia sísmica do Cenozóico na plataforma continental
algarvia: interpretação do controle tectónico da sedimentação. Consultado em: <http://www.cienciasdaterra.com/index.php/vol/article/viewFile/220/209>.