sábado, 17 de dezembro de 2011

Pérmico


Imagem 1 - Ilustração da fauna e flora do Pérmico, retirado de: <http://www.rareresource.com/pho_permian%20Scene.htm>

     O pérmico, período situado na Era Paleozóica (incluido no Eon Fanerozóico), corresponde ao intervalo de tempo da História da Terra compreendido entre 290 Ma até 248 Ma atrás. Na imagem que se segue podemos observar a localização exacta do Pérmico. 

Imagem 2 - Quadro de divisões estratigráficas, retirado de: <http://www.ufrgs.br/paleodigital/images/colunageologica.jpg>

     Este período foi o último período da Era Paleozóica. A distinção entre o Paleozóico e o Mesozóico é feita no final do Pérmico, considerando a extinção em massa que ocorreu nesta altura, sendo esta a maior registrada na história da vida na Terra. Mais de 90 por cento das espécies da Terra, incluindo insectos, plantas, animais marinhos, anfíbios e répteis, foram destruídas em todo o mundo. Pérmico é, portanto, recordado como o momento em que a vida na terra esteve mais perto se extinguir.


A Paleogeografia

     O início do Pérmico não sugeria a extinção em massa que se seguiria, embora a mudança geológica estava em andamento. A geografia global do Pérmico inclui áreas enormes de terra e água. Devido ao movimento das placas da crosta terrestre, as terras uniram-se para formar um supercontinente conhecido como Pangeia, somente Ásia era separada no momento. A maior parte do resto da superfície da Terra foi ocupada por um único oceano, conhecido como Pantalassa, com um mar de menores dimensões situado a leste de Pangeia conhecido como Tethys. Na figura seguinte, podemos observar a paleogeografia dessa época.
Imagem 3 - Ilustração da Paleogeografia do Pérmico, retirado de: <http://www.phoenix.org.br/images/PaleoPerm.gif>

Clima

     O supercontinente da Pangeia apresentou extremas variações de clima devido ao seu vasto tamanho. O sul era frio e árido, com grande parte da região congelada sob calotas e as regiões a norte, juntamento com as regiões interiores, sofreram grandes aumentos de temperatura, com grandes flutuações sazonais. O interior do continente tornou-se mais seco. As florestas pantanosas do Carbonífero foram gradualmente substituídos por coníferas, samambaias com sementes e outras plantas resistentes à seca. Também nessa altura, ocorreu uma diminuição da glaciação.


Fauna e Flora

     Uma vez formada a Pangeia, os animais e as plantas puderam deslocar-se, com relativa facilidade e com poucas barreiras. Importantes eventos evolutivos ocorreram nesta época, como os vertebrados, que se tornaram cada vez mais prevalecentes em ambos os habitats, marinhos e terrestres.
     A flora no início do Pérmico era uma continuação do Carbonífero, porém houve uma grande transição, com árvores lycopod como Lepidodendron e Sigillaria dos pântanos de carvão do Carbonífero, sendo substituídos pelas coníferas mais avançadas e melhor adaptadas às condições desta nova mudança climática. Coníferas espalharam-se para dominar o mundo das plantas até ao Cretáceo. Foi nesta altura que surgiram as plantas com flor. Outras plantas comuns da época incluem cicadáceas e as denominadas samambaias com sementes, destas destaca-se o género Glossopteris, sendo o fóssil mais antigo encontrado até hoje, do Pérmico.

Imagem 4 - Fóssil de Walchia piniformis, conífera do Pérmico, retirado de: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Walchia_piniformis.jpg>

     Relativamente à fauna destacam-se, com maior desenvolvimento e diversificação, os répteis que passaram a ocupar todo o planeta Terra. Chegaram a atingir grandes portes, como por exemplo os Moschops. No topo da cadeia alimentar destacou-se o Dimetrodon (Um réptil pelicossáuro, que atinguiu comprimentos da ordem dos 3-4 m) e ocorre a decadência dos artrópodes gigantes, acabando por extinguir-se neste período. Devido à diminuição do nível de oxigénio na atmosfera, os artrópodes terrestres já não puderam manter o grande porte, embora no início do Pérmico, algumas destas espécies ainda persistiam, exemplo disso foi o Apthoroblattina. No pérmico ainda não existiam lissanfíbios (anfíbios modernos), mamíferos, tartarugas, lepidossauros (lagartos), pterossauros nem dinossauros, mas já existiam os ancestrais de todos estes grupos, que acabaram por evoluir dando lhes origem durante o Triásico. Um grupo de répteis que se acredita terem sido os ancestrais dos mamíferos que, inclusive, compartilhavam mais características com estes do que com os répteis actuais, os sinapsídeos, os quais se dividiam em dois grupos: os pelicossáuros (mais primitivos e que extinguiram-se ao final do período) e os terapsídeos (que sobreviveram à extinção massiva que marcou o final do período).
Imagem 5 - Ilustração de um Dimetrodon milleri, retirado de: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Dimetrodon_BW.jpg>
      Nas águas doces havia anfíbios gigantes, e no mar tubarões primitivos, moluscos cefalópodes, braquiópodes, trilobites e artrópodes gigantescos conhecidos como escorpiões marinhos. As únicas criaturas voadoras do período eram insectos, muitos deles bem semelhantes às actuais libélulas.


“The Great Dying”

     O Pérmico representou, no entanto, o último suspiro de vida de muitas espécies pré-históricas, marcando uma linha divisória biológica em que houve poucos animais que se cruzaram na passagem do pérmico para o Triássico. Estima-se que esta extinção em massa dizimou mais de 90 por cento de todas as espécies marinhas e 70 por cento dos animais terrestres sendo assim considerada a maior extinção conhecida em toda a história da Terra, por isso denominada “The Great Dying”. Muitas espécies extinguiram-se nesta altura, entre as quais foraminíferos, trilobite,corais tabulares, Blastoidos, acantódios, placodermes, e pelycosauros. Outros grupos foram substancialmente reduzidos, como os briozoários, braquiópodes, amonoides, tubarões, peixes ósseos, crinóides, ostracodes e equinodermes.
     Existem várias teorias que procuram explicar o que originou esta extinção em massa. Alguns cientistas acreditam que uma série de erupções vulcânicas causou um bombardeamento de detritos para a atmosfera, bloqueando a passagem da luz solar, causando assim uma quebra de temperatura muito significativa que impediu as plantas de realizarem a fotossíntese e que por sua vez causou o colapso das cadeias alimentares.
Outra teoria aponta que a mudança climática global tenha sido a grande causa desta extinção. Evidências dizem-nos que, devido a um aquecimento e arrefecimento súbito, as espécies foram incapazes de se adaptar a estas variações climáticas. Outras hipóteses debatidas focam-se numa possível libertação de gás metano armazenado no subsolo marinho, provocada por terremotos ou pelo aquecimento global, ou ainda por um impacto de um gigantesco asteróide. Também é possível que esta extinção seja uma consequência de todo este conjunto de factores referidos anteriormente.


Bibliografia:

   Webpages:
The Virtual Fossil Museum. (2002-2011). Permian Fossils.  Retirado de: <http://www.fossilmuseum.net/Paleobiology/PermianFossils.htm>.

Discovery Communications, LLC. (2011). Permian Extinction: When the End of Life Was Near. Retirado de: <http://dsc.discovery.com/dinosaurs/permian-extinction.html>.
University of California - Museum of Paleontology. (1994-2011). The Permian. Retirado de: <http://www.ucmp.berkeley.edu/permian/permian.html>.
The Intenet 1996 World's Exposition. (1996). The Permian Mass Extinction. Retirado de: <http://park.org/Canada/Museum/extinction/permass.html>.

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